O exemplo das equipes do Grêmio e do Internacional pode ter mostrado sinais de que a volta da rotina no futebol brasileiro ainda está um pouco distante. As atividades que marcavam o retorno dos treinos dos dois clubes, mesmo que com os cuidados e restrições necessários, tiveram que ser canceladas após decisão do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de adotar medidas restritivas no estado, não permitindo atividades esportivas.

As férias coletivas dos jogadores da maioria dos clubes, antecipadas de dezembro para abril, já chegaram ao fim e o assunto tem tirado o sono dos dirigentes, que seguem sem rumo em relação à programação presencial das equipes. Eles têm forte interesse na continuidade dos campeonatos para que possam, inclusive, receber parte dos direitos de transmissão televisiva. Verba essa que minimizaria os prejuízos da maioria dos times das séries A e B. Em São Paulo, por exemplo, os clubes chegaram a assinar um termo de compromisso de continuidade para dar prosseguimento ao campeonato.

No Rio a situação já é bem parecida com a dos times sulistas. A federação do estado autorizou no domingo, 2, a volta das atividades em seus centros de treinamento, porém logo depois a decisão foi vetada pelo governo do estado e pela prefeitura.

Na Europa, apesar de muitos países já terem autorização para recomeçarem os treinos, como Alemanha, Espanha e Itália, o retorno dos campeonatos ainda está indefinido. Na França, por exemplo, a temporada não será concluída. Na Inglaterra ainda há incertezas, mesmo com o planejamento de retomada envolvendo testes em massa nos elencos e delegações dos clubes e jogos com portões fechados. O fato é que na maioria dos países existe a intenção de retomar e concluir as competições ainda este ano. A dúvida é quando e como.

Foto: Ascom CRB
Foto: Ascom CSA

Alagoas

Trazendo a problemática para o estado, a situação não é menos preocupante. A indefinição em relação ao retorno do esporte perdura e a maioria dos clubes já vive
uma crise econômica, devido à paralisação. A Federação Alagoana de Futebol (FAF) montou um Plano de Retomada do Futebol, com especialistas na área, porém as autoridades de Saúde e Governo estão cautelosos e não apontaram para uma volta.

As equipes do interior: CEO, ASA, Jaciobá, Murici, Coruripe e CSE já deram sinais de que poderão não ter aporte financeiro para o retorno do Alagoano. Enquanto isso, atletas e preparadores físicos seguem em contato para manterem o mínimo de condicionamento. CSA e CRB, apesar de terem um maior equilíbrio nas contas, também estão sendo afetados com a crise, com redução na receita.

Após período de férias coletivas, o CSA usou como alternativa o retorno das atividades através de videoconferência e criou uma programação semanal a fim de integrar os atletas até o retorno presencial. O clube, assim como muitos, ainda não tem definição sobre reinício dos treinos.

Também sem previsão de recomeço, o elenco regatiano iniciou, na semana passada, os trabalhos de intertemporada através do sistema de “home training”. Segundo a assessoria, enquanto não têm o sinal verde para a volta, a comissão técnica deu início a nova fase de preparação.

A crise gerada pela pandemia do Coronavírus trouxe consequências inegáveis e inimagináveis para todas as instâncias no mundo. No futebol, em meio a tantas
dúvidas, o que se sabe é que a festa das arquibancadas não deve ocorrer tão cedo. Já que, na possibilidade de volta dos jogos, os portões provavelmente serão fechados para a grande atração da festa: as torcidas.

(Crédito da imagem: Ascom Grêmio)