Esta semana foi publicada uma pesquisa realizada pela FENAPAF (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol) em parceria com o SIAFMSP (Sindicato dos Atletas de Futebol do Município de São Paulo) e a consultoria Esporte Executivo, especializada em gestão esportiva, sobre a opinião de atletas profissionais do futebol masculino e feminino de todo o país quanto ao retorno dos campeonatos.

A pesquisa foi motivada por um relevamento realizado pela SIAFMSP, no início do corrente mês, e apontou uma vontade de regresso por mais de 64% dos jogadores que atuam no estado. Frente a esse resultado, a FENAPAF decidiu realizar uma amostra em nível nacional para que suas ações sejam representações de seus afiliados. O resultado, entre os 734 atletas das séries A, B, C, D que participaram, de campeonatos regionais e feminino, foi de que 68% desejam voltar e 32% não.

Além do questionamento sobre o retorno, se verificou as motivações de suas respostas. Das motivações mais mencionadas, entre os que desejam o regresso, estão: os que acreditam que exista uma estrutura para prevenção à contaminação. A outra que liderou as respostas e que chamou a atenção foi: que até preferiria não voltar, mas precisam financeiramente desse retorno.

Do lado oposto, contra a volta aos gramados, as causas mais citadas foram: em meio a salários atrasados e a vulnerabilidade ao vírus, acreditam ser um desrespeito a opção de se expor. Por outra parte, outro fator determinante para suas opiniões foi a pressão das famílias.

Foto: Ascom

De acordo com os resultados, entre outras coisas, se pode observar que entre todas as séries a vontade de regressar às competições é maior, mas à medida que se vai verificando as amostras das séries de forma descendente, se pode constatar que a diferença entre os que são a favor e contra aumenta. De acordo com Jorge Borçato, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Estado de Alagoas (SAPEAL) e integrante da comissão da FENAPAF, em entrevista exclusiva para equipe do Amistoso AL,  o fenômeno de muitos atletas dizerem que estão dispostos a retornar, mesmo havendo picos da pandemia em vários estados, é um ato de desespero. Mas se pode entender, porque a grande maioria não tem um contrato anual, apenas por uma temporada, e seus salários são baixos e entre se expor e sustentar suas famílias, optam pela segunda opção.

Borçato diz entender que a pandemia vem afetando a todos os setores, mas relembra que foi lançada uma Medida Provisória que permite aos clubes suspender os contratos, fato que muitos se apoiaram, sem prestar nenhum auxílio aos atletas. Além de que alguns rescindiram contratos ou diminuíram salários, tomando decisões de maneira unilateral. Como se isso fosse pouco, a categoria não foi incluída no Plano Emergencial do Governo Federal.

O presidente diz ter tido conversas com o representante da Federação Alagoana de Futebol sobre o assunto do retorno e buscam alternativas que possam assegurar a
integridade física de todos os atletas e profissionais envolvidos, mas ressalta que a volta do futebol no estado independe da vontade das entidades em questão, e sim do aval do Governo do Estado. Acredita ter a necessidade de uma audiência com o governador, para que possam definir uma data e poderem trabalhar.

FENAPAF

Frente à situação vivida pelos atletas, a entidade lançou uma campanha na internet em que jogadores renomados da série A e outros não tão conhecidos das séries inferiores e dos campeonatos regionais reivindicam o direito de poderem participar do Programa Emergencial do Governo Federal.

No vídeo, os jogadores ressaltam que no Brasil existem quase 24 mil atletas de futebol profissional e que apenas 4% ganham altos salários. Ainda que somente 8% têm calendário para toda a temporada e 92% trabalham e recebem alguns meses do ano. A campanha pede para que essa grande maioria tenha o direito de fazer parte do programa assistencial nacional.

(Crédito da imagem: Reprodução/Montagem)