Há exatamente uma semana, dia 5, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enviou um comunicado a todas as federações estaduais e seus filiados comunicando a criação de um protocolo com critérios para orientar o retorno de treinamentos e competições de Clubes e Seleções.

No Guia Médico de sugestões protetivas para o retorno às atividades do Futebol Brasileiro, a instituição deixa claro que o documento foi elaborado em conformidade com as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde do Brasil (MS), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB) e que está sujeito a alterações conforme sugestões de algumas dessas entidades.

Em meio a rumores de uma possível volta aos treinamentos a partir do dia 15, o próprio governador Renan Filho, em seu pronunciamento no dia 10, deixou em aberto essa possibilidade e a criação de um protocolo de medidas protetivas de parte da CBF. Com isso, a equipe do Amistoso AL procurou os representantes dos clubes alagoanos que estão na série D do campeonato brasileiro, Coruripe e Jaciobá, para falarem sobre como estão vendo essas medidas e se estão prontos para o retorno.

Associação Atlética Coruripe

Com respeito ao protocolo, Franciney Joaquim dos Santos, vice-presidente do Hulk Praiano, diz que o documento não contempla as condições dos clubes pequenos da série D, já que estes não têm os mesmos aportes e auxílios das equipes das categorias A e B. A ajuda que a instituição recebeu da CBF só deu para pagar as dívidas referentes ao Alagoano. O dirigente cita que só a folha de pagamento do clube supera 80 mil reais mensais e que entre os diferentes procedimentos orientados no protocolo está a realização dos testes rápidos que têm um custo médio de R$250,00 a unidade. Se fossem seguir as indicações ao pé da letra, a instituição teria que fazer uma base de 30 a 40 exames a cada 15 dias, condição esta inacessível para o clube no momento.

O representante não acredita na possibilidade dessa volta tão rápida, pois o decreto que ia até o dia 10 foi prorrogado por doze dias. Comenta que no clube todos estão muito apreensivos e prontos para retornar, mas gerar uma expectativa sem uma posição certa não seria prudente, porque estimula mais ansiedade e esta seria a grande causa de problemas de depressão entre os atletas. Santos relembra que com a paralisação o clube teve que fazer um acordo com os atletas e a comissão técnica, ao qual faz questão de demonstrar seu agradecimento por compreenderem a situação do clube. Ressalta que ainda falta resolver algumas pequenas pendências, mas que na próxima semana já estarão sendo regularizadas.

Quando questionado sobre a possibilidade da equipe retornar, o vice-presidente é taxativo em dizer que: “se o retorno fosse agora, o Coruripe não estaria financeiramente preparado para voltar. Estruturalmente está preparado, os jogadores estão sobreaviso, a comissão técnica está sobreaviso e a diretoria está ansiosa para voltar. Agora, sem um aporte financeiro da Federação e da CBF ou do Governo do estado, que passe a tratar o clube como empresa, não há condições de voltar na série D. Eu espero que seja resolvido, senão que eles deem as punições que sejam cabíveis,” afirma Franciney.

Jaciobá Atlético Clube

Por outra parte, o conselheiro do Jaciobá Atlético Clube (JAC), Giuseppe Gomes, vê a situação do protocolo ainda muito prematura, já que o mundo está passando por uma situação anormal e o documento emitido pela CBF não contempla as condições dos clubes do interior.

O representante ressalta que o clube não tem infraestrutura financeira e nem física para poder cumprir com as orientações. Destaca que na cidade de Pão de Açúcar o hospital não tem respirador artificial e para poderem fazer um teste rápido as pessoas tardam dez dias. Somado a toda essa situação, afirma que o azulão não teria condições de manter em isolamento todos os atletas e suas famílias em locais reservados.

Giuseppe diz que voltar a treinar nesta situação de pandemia seria uma falta de compromisso com a vida e que não vê nenhuma possibilidade de voltar antes que seja decretado um estado de normalidade frente ao covid-19.

Por sua vez, relembra que os patrocinadores cancelaram imediatamente suas contribuições para com o clube, já que tiveram que priorizar suas empresas e funcionários, situação compreensível.

Com respeito à série D, o dirigente diz que a equipe está estruturada para participar, mas que não vê a possibilidade de o campeonato voltar antes de setembro e que a CBF terá que refazer o calendário sugerido e afirma incisivamente: “nós, enquanto clube, não iremos assumir essa responsabilidade pela vida dos atletas”.

Se o retorno se der agora, o representante não acredita na possibilidade do clube poder voltar, devido à falta de infraestrutura para com as orientações, além do custo adicional que ela acarretaria, quebrando com o planejamento financeiro da entidade.

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