Dando sequência à nossa série de entrevistas com os representantes dos clubes que estão disputando o Alagoano para ver como as equipes estão se virando com a
paralisação, nesta quinta-feira, 16, a equipe do Amistosoal.com conversou com o presidente do Centro Esportivo Olhodaguense, CEO, José Wilque Souza Melo. Ele nos contou sobre a situação de incertezas em que vive o clube e também questiona as ações realizadas pela CBF com relações aos times dos estaduais.

Com respeito à paralisação, o presidente diz entender que é uma situação que excede a todos e que se deve compreender, porque está ligada à saúde de todos. Wilque falou que o momento afetou muito fortemente as equipes pequenas, incluindo o CEO. O clube tinha um planejamento até o final de março, no qual apostavam num bom rendimento da equipe se classificando para a próxima fase do campeonato e, consequentemente, trazendo mais receita para a Instituição.

Ele explica que mesmo o campeonato estando parado as dívidas seguem ativas, deixando uma situação bem complicada para o clube. Além de que os contratos dos jogadores estão terminando no final do mês. O presidente teme por esse período de indefinições, já que não sabe o que fazer com os atletas, se renova ou não os contratos. Dependendo da decisão a ser tomada existe a possibilidade de que, quando o Alagoano retornar, a equipe esteja sem jogadores.

De acordo com o dirigente, na próxima semana o clube estará recebendo um dinheiro de patrocínio e vai colocando em dia as contas do clube, “...Até a parada nós estávamos pagando tudo certinho, até pagando antecipado, mas com a parada mudou muito a nossa realidade,” afirma. Disse já ter uma posição frente ao assunto, mas antes de difundi-la ao público precisa que ela seja avaliada pelo conselho do clube.

Foto: Ascom

Questionamento sobre a ajuda da CBF

Quando questionado sobre a possibilidade do CEO receber alguma ajuda da CBF, o presidente afirmou ter uma visão um pouco dura e realista da situação. Para ele, a ação da Confederação de só ajudar as equipes que estão participando dos campeonatos das séries A, B, C e D é uma prova de que a Instituição quer acabar com os estaduais. Diz ser incoerente ajudar as equipes que estão em campeonatos que ainda nem começaram, enquanto as que estão sofrendo são as que disputam os estaduais.

Vê como um gesto de menosprezo e desrespeito para com as equipes que não têm série. Então lança um questionamento: “Se ela (CBF) não acha de responsabilidade sua essas equipes que disputam os estaduais, por quê elas têm que pagar todos os custos com a CBF? Então a gente vê que a CBF não considera e desrespeita as equipes que disputam os estaduais, é por isso que a gente tem essas dificuldades” questiona. E finaliza reforçando que a equipe não tem esperança nenhuma em receber ajuda da Confederação.

Com respeito aos patrocinadores

Ao ser perguntado sobre a situação dos patrocinadores do clube, José Wilque afirma não ter patrocinadores, mas sim parceiros; alguns estão com ele desde o início de sua gestão, há quatro anos. Ressalta que mesmo em momentos difíceis eles estão ajudando como podem. A quem ele só tem a agradecer e a dedicar as boas campanhas da equipe. O presidente ressalta que o clube está esperando uma ajuda do município, que é um dos principais apoiadores. “Mas agora é momento de se preocupar com a saúde pública”, diz.

Foto: Ascom

Relação entre CEO e FAF

Para o representante a relação do clube com a FAF é a melhor possível. Disse que tem um contato direto com o presidente Felipe Feijó e que conversam sempre para procurar meios de fortalecer o futebol do interior e nesse momento, agora em especial, sabem que tanto os clubes como a Federação vêm sendo prejudicados financeiramente. Acredita que seja necessário o diálogo para minimizar ao máximo possível os estragos que serão causados no futebol. “Agora é hora de se pensar na saúde das pessoas e, quanto ao futebol, quando tudo isso acabar, vamos buscar mecanismos e meios pra amenizar o impacto que cada um sofreu”, finaliza.

(Crédito das imagens: Ascom)