Revolta! Esse ainda é o sentimento do Ferroviário Atlético Clube alguns dias após a eliminação na Copa do Brasil, nos pênaltis, contra o América-MG, em partida realizada no último dia 16, na Arena Independência. Mas não é uma indignação típica daqueles que perdem uma partida e colocam a culpa no adversário, nas condições do campo ou até no juiz de forma banalizada. Essa é uma reivindicação mais séria! A invalidação do primeiro pênalti da equipe cearense, cobrado por Adílson Bahia, foi um erro gritante, com consequências graves para o clube e que deveria passar longe de ser rotulada apenas como “interpretação do árbitro”. A bola entrou nitidamente e o bandeirinha, que estava ao lado da linha do gol, deveria ter visto.

A divulgação de diversos vídeos do momento da cobrança não deixou qualquer dúvida de que a bola ultrapassou por completo a marca do gol. Mesmo assim, o Ferrão perdeu a chance de ganhar R$ 1,7 milhão caso passasse para a terceira fase da competição.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) confirmou no sábado o recebimento do pedido do Ferroviário-CE para impugnação da partida. No documento, enviado ao órgão, o clube também pede que o resultado do jogo não seja homologado e que não haja o sorteio para a próxima fase. O juiz Otávio Noronha deve analisar os pedidos.

O fato é que dificilmente o STJD decide pela anulação de uma partida num caso como esse. O presidente da Comissão de Arbitragem da FAF (CA-FAF), Charles Hebert, disse que por ser um erro de fato, um erro de visão, não acredita que o clube tenha a solicitação acatada pelo Tribunal. “Seja no VAR ou na arbitragem de campo, entendemos que esse é um erro de fato e não de direito e, desta forma, acho muito difícil que essa partida seja anulada. Mesmo com o advento da tecnologia, acredito que esse pedido não deverá ter sua procedência atendida”, coloca.

Somando-se à tipificação do erro (de fato e não de direito), a logística e o custo para a realização de um novo jogo são grandes. Futebol é dinheiro e os clubes com mais “nome” acabam se beneficiando de uma situação como esta. E olha que nem vou comentar aqui o “distanciamento” quando se fala em equipes do Nordeste ou times “menores” para não dar vez a maiores discussões. Porém, na minha opinião, um caso como esse deveria ser encarado como um bom exemplo a ser dado ao futebol, que nem sempre é justo, mas deve ser claro.

Interpretar um lance difícil e falhar é fato corriqueiro no futebol, afinal o juiz é humano e também passível de erro. Mas nesse fato em específico, tão grave - mesmo que juiz e assistentes não tenham visto – seria necessário que os órgãos superiores reparassem tal “equívoco” para salvaguardar o futebol de mais descrenças e de um capítulo triste em uma história tão intensa, como é a do futebol brasileiro. Principalmente quando se trata da competição mais “democrática” do país.

Repercussão

Importante destacar que, com uma folha de cerca de R$ 300 mil, a premiação da segunda fase poderia quitar até seis meses dos salários dos jogadores do Ferroviário. Logo após o incidente a torcida coral iniciou um movimento de doações voluntárias como forma de amenizar o prejuízo realizando ação nas redes sociais para arrecadar fundos.

A polêmica do gol anulado chegou, inclusive, até o técnico Lisca, do Coelho, que no ano passado foi incisivo em fortes cobranças contra os árbitros brasileiros. Para ele, o América-MG perdeu o título da Série B do Campeonato Brasileiro em função de erros da arbitragem. Por esse motivo tão simbólico ele foi chamado nas redes para se pronunciar sobre o assunto.

Mas quem falou foi justamente o técnico do Ferrão, Francisco Diá. Claramente indignado, ele comentou, em entrevista ao Globo Esporte/CE, que logo após o jogo conversou com o assistente da partida e este teria admitido o erro e dito, inclusive, que anotaria o ocorrido na súmula, o que parece não ter ocorrido.

Com este triste incidente esperamos que, ainda que tudo fique como está, ao menos possamos tirar lições de tudo isso e que possamos evitar cenas tão tristes, que denigrem a imagem do nosso futebol e desrespeita jogadores, clubes e, principalmente, sua apaixonada torcida.

(Crédito das fotos: Reprodução internet)