A fala de Jorge Borçato, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de Alagoas (SAPFEAL), se refere ao Projeto de Lei (PL) 2.125/2020, apresentado pelo deputado federal do DEM-BA, Artur Maia, que prevê uma suspensão temporária das parcelas do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), paga pelos clubes.

Mas a grande questão que afeta diretamente a classe dos esportistas são os artigos que falam da possibilidade de realizar contratos de até 30 dias, de modo circunstancial, por causa da pandemia, e o dispositivo que propõe uma redução de 50% no valor da cláusula compensatória desportiva, em caso de rescisão unilateral de contrato neste período de crise, que está por ser votada no dia de hoje, 02, em caráter de urgência na Câmara de Deputados.

Borçato explica que o sindicato local se une à campanha da Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol-FENAPAF para que essa votação não ocorra ou, que pelo menos, sejam tirados de pauta os pontos que se referem ao direito trabalhista dos atletas. “Nunca fomos ouvidos nessa discussão, mas essa pauta não é para agora,” afirma Jorge. Diz que o momento é de buscar alternativas para enfrentar esse período de pandemia e estudar meios para o futebol poder retornar com segurança e não para tirar direitos.

O dirigente relembra que para muitos jogadores da série A, com salários altos, pode não fazer tanta diferença, mas para os jogadores das séries inferiores irá causar muito prejuízo. Juntam-se a essa campanha deputados e senadores que são ex-jogadores, como Darley Hinterholz e Romário Faria.

Romário publicou no dia de ontem, 01, em suas redes sociais, a informação sobre a votação do PL 2.125/2020 e escreveu: “compreendo as dificuldades agora enfrentadas pelos clubes e a necessidade de uma suspensão temporária de pagamentos de algumas obrigações e dívidas fiscais. Mas estou certo de que algo que mexe diretamente com os direitos trabalhistas dos atletas, mesmo para aqueles que ganham acima de 11 mil reais por mês, de maneira permanente, teria a obrigação de ser discutido com toda a categoria, sob pena de se atender apenas aos interesses de um dos segmentos envolvidos, os clubes de futebol.”

(Crédito da imagem: FENAPAF)