Os times de Alagoas estão na expectativa de uma possível volta do campeonato estadual. A Federação Alagoana de Futebol (FAF) ainda não bateu o martelo, mas a criação de um grupo para traçar um Plano de Retomada já dá indícios de que os jogos podem voltar com as medidas de segurança cabíveis ao momento de pandemia.

O técnico do CSE, Jaelson Marcelino, falou ao Amistoso AL que acredita que todas as equipes terão dificuldades em relação ao ritmo de jogo, caso o futebol retorne. “Se os jogos voltarem será com muitas precauções. O fato é que nenhuma equipe vai estar com ritmo, não importa se tem mais dinheiro ou menos dinheiro. O campeonato voltará para acabar o mais rápido possível, com uma média de dez dias apenas para treinar”, opinou.

Ele acrescentou que esse possível retorno terá um teor de muita responsabilidade para as autoridades, já que a pandemia está em momento delicado no Estado e envolverá muita gente. “Voltar por voltar não pode, temos que ter segurança. Então vamos aguardar as decisões que deverão ser tomadas em breve”.

Mas já pensando em um reinício da competição o preparador físico da equipe, Hítalo Lucas Gonçalves, realiza treinamento constante com os jogadores virtualmente através dos grupos de aplicativos e tenta fazer um acompanhamento dos treinos, segundo Marcelino. “Nosso preparador tenta manter uma média de treinos com nossos jogadores, mas sabemos que não é a mesma coisa. Uns seguem à risca, outros não. Então nunca é igual aos treinamentos diários em campo".

G4

Jaelson disse que o time estava na expectativa da classificação para a próxima fase do Alagoano, já que ocupava a 4ª colocação no momento da paralisação. Vinha numa crescente, segundo ele. De uma sequência de empates, inclusive para CRB e CSA, uma vitória em cima do Jaciobá e de um empate contra o Murici, que é líder, na abertura da sexta rodada. “Íamos jogar contra o ASA na última rodada e tínhamos grandes chances de passarmos de fase”, comentou.

Dificuldades

De acordo com o treinador tricolor, ainda existe a indefinição quanto ao retorno dos atletas que são de outros estados para a possível continuidade das partidas. “Não sabemos se vamos ter apenas um jogo ou mais jogos, então está tudo muito incerto. Mas vamos aguardar o decorrer dos acontecimentos para termos uma ideia do que vai acontecer”. Faz questão de reforçar o apoio da prefeitura de Palmeira dos Índios no incentivo financeiro ao clube, que está com a folha em dia. “Sem a Prefeitura não teríamos condições de continuar”.

Acesso

O Clube Sociedade Esportiva voltou à elite do Alagoano após o título da Segundona no ano passado contra o Zumbi. Marcelino ressaltou o profissionalismo do novo time montado para a competição esse ano. “Perdemos 95% dos jogadores, que tiveram propostas para outros clubes após o acesso. Tivemos dificuldade de formar um elenco devido à concorrência, mas asseguro que montamos um time guerreiro que vestiu a camisa e está dando resultados”.

Vasto currículo

Cabe destacar que neste dia 30 de abril foram comemorados os seis anos do título estadual pelo Coruripe, que tinha Jaelson como comandante. O técnico é dono de um extenso currículo na área e, após a conquista do Alagoano, vem de quatro acessos seguidos pela segunda divisão.

Foi campeão da Segundona invicto em 2016, pelo CEO, em 2017 pelo Dimensão AL, em 2018 também campeão da Segunda Divisão pelo Jaciobá e, em 2019, pelo CSE. Marcelino passou por diversos clubes do Nordeste, atuou em São Paulo e foi escolhido melhor treinador em 2014, pelo Hulk Praiano, e em 2019 pelo Tricolor Palmeirense.

“Tenho quase 30 anos de futebol e uma carreira vitoriosa. Oito anos como treinador. Estou vivendo momentos maravilhosos e faço questão de dizer que não conquistei tudo sozinho. Muita gente me ajudou e fiz muitos amigos nessa caminhada. Prezo pela amizade e o respeito para com os jogadores, pois já estive do outro lado. Sei que em campo os atletas dão a vida por mim e eu procuro fazer o mesmo”, destacou.

Ele concluiu lembrando do amor que tem pelo trabalho e da vontade de voltar aos campos. “Tenho plena consciência da vulnerabilidade do cargo. Nós somos amados na quarta e odiados no domingo e estou no CSE por conta dos resultados. Mas faço questão de reforçar que sou feliz na minha profissão e tenho muita vontade de ver o retorno do futebol”.

(Crédito da imagem: Reprodução)