Não é de hoje que a valorização das categorias de base vem sendo discutida no intuito de fortalecer os times e, principalmente, dar oportunidades aos meninos que querem jogar futebol. O incentivo na formação dos atletas ganhou até um dispositivo da FIFA, a partir do ano 2000, para estimular as equipes a investirem na sua base: é o Mecanismo de Solidariedade.

De acordo com o Regulamento de Transferências da FIFA, é permitido que a equipe formadora do atleta possa receber até 5% de cada transferência internacional de um jogador. Ele pode ser dividido proporcionalmente a todos os clubes pelos quais o atleta passou até os 23 anos, período de formação do jogador. Foi por esse dispositivo que a venda do meia Pedrinho, do Corinthinas para o Benfica, de Portugal, vai render uma quantia ao time do CSA, que teve o atleta em sua escolinha dos oito aos 13 anos.

O vice-presidente do CSA, Omar Coelho, afirmou ao Amistoso AL que o mecanismo existente para premiar o clube na formação de seus atletas, incluindo o dado no passaporte da FIFA e da CBF. “Após a mudança da legislação em que os clubes perderam o passe dos jogadores a formação ficou em aberto. Ou seja, você promovia o engrandecimento do atleta, seu alto rendimento, principalmente nas categorias de base, e não tinha o controle sobre ele. Qualquer empresário ou clube chegava e levava e o time ficava a mercê do investimento. Então esse mecanismo vem para dar garantia aos clubes que trabalharam na formação dos atletas e em sua preparação até os 23 anos”, explicou.

Funciona assim: do 12º ao 15º aniversário o clube leva 0,25% da compensação total por cada ano. E do 16º ao 23º aniversário, o clube leva 0,5% do valor anualmente. No caso do Pedrinho, a negociação com o time europeu foi fechada no valor de 20 milhões de euros (R$ 105,89 milhões), o que deve caber ao clube azulino o total de R$ 264.725,00.

Mas para garantir o direito à gratificação o dirigente lembra que o CSA foi em busca de registros do atleta em sua vida no clube, pois não havia esse histórico nos arquivos. “Pedrinho foi campeão pelo CSA na escolinha, no campeonato Papai Noel, organizado pelo Sesc, e por isso fomos buscar as súmulas no próprio Sesc, porém não conseguimos. Então procuramos fazer um resgate histórico e fomos ao pai dele e a ele mesmo para pegarmos fotos e elementos de registros de suas participações e conseguimos. Isso já foi fundamental para que a CBF viesse a acatar todo o material coletado e incluísse o CSA no seu passaporte”.

Coelho acrescentou que o clube busca agora, já reestabelecido administrativa e financeiramente, a chancela de clube formador. “Estamos com esse objetivo, que teve que ser adiado devido a esse período de pandemia”. O dirigente concluiu reforçando a importância da gratificação para todos os clubes e destaca que ela é um reconhecimento àqueles que formaram o jogador.

Referências

As negociações de Neymar e Phillipe Coutinho foram uns dos exemplos de transações que renderam dividendos a suas equipes formadoras. A venda do atacante do Barcelona para o Paris Saint-Germain em 2017 por € 222 milhões (cerca de 822 milhões de reais) rendeu ao Santos R$ 33 milhões no total.

Já Philipe Coutinho, que pertencia a Inter de Milão, foi vendido ao Liverpool em 2013 por € 13,7 milhões, ou seja, R$ 37 milhões e o Vasco recebeu R$ 760 mil pela negociação. Alguns anos depois, após trocar o Liverpool pelo Barcelona em negociação de € 130  milhões, o equivalente a R$ 633 milhões, foi revertido para o Vasco uma nova quantia de cerca de R$ 15, 8 milhões.

(Homenagem prestada pelo CSA a Pedrinho antes da partida com o Corinthians, ano passado, no Rei Pelé / Crédito da Imagem: Felipe Nyland)