Nas últimas semanas um tema vem tomando a atenção do mundo do futebol nacional, mais especificamente dos jogadores e profissionais envolvidos. O motivo é a notícia do Projeto de Lei (PL) 2.125/2020, apresentado pelo deputado federal do DEM-BA, Artur Maia, que prevê uma suspensão temporária por seis meses das parcelas do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), paga pelos clubes. Mas a grande questão que afeta diretamente a classe dos esportistas, são os artigos que falam da possibilidade de realizar contratos de até 30 dias, de modo circunstancial, por causa da pandemia, e o dispositivo que propõe uma redução de 50% no valor da cláusula compensatória desportiva, em caso de rescisão unilateral de contrato neste período de crise.

Em declaração à imprensa, o presidente do Sindicato de Atletas Profissionais de São Paulo, SAPESP, Rinaldo Martorelli, chamou a proposta de “Projeto de Lei do Gol Contra”, porque essas normas são contrárias a tudo o que os atletas e seus sindicatos teriam conquistado nos últimos 20 anos.

De acordo com o deputado Maia, as medidas visam auxiliar os clubes na situação de calamidade pública em que se encontra o país, onde os mesmos não estariam arrecadando o suficiente para horar seus compromissos frente ao Profut. Além de que dariam a possibilidade das entidades se organizarem financeiramente para o retorno do futebol.

Nessa discussão entrou o ex-jogador e atualmente senador pelo PODE-RJ, Romário, que através de suas redes sociais fez uma publicação dizendo: “Sem debates, cartolas usam crise do covid para reduzir indenização de atletas em 50%”, e acrescentou através de comentários que uma coisa seria tentar negociar uma redução salarial durante a paralisação, outra é querer, por uma manobra, criar uma espécie de salvo-conduto para que continuem a endividar irresponsavelmente seus clubes. Segundo o Baixinho, alguns dirigentes precisam parar de usar o calote como ferramenta de (má) gestão.

Jogadores

Na briga também entraram os principais interessados, os jogadores, com o apoio da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), que criaram uma petição online para entregar no Congresso Nacional. Por outra parte, fizeram um vídeo com jogadores renomados do futebol brasileiro e, através de frases de ordem, pediram para serem ouvidos e participarem da discussão. Tais como: "Brasil, é hora de união de todos.” “Somos um povo, uma nação.” “Temos diferentes realidades na nossa classe.” “A maioria só trabalha três meses por ano, 95% de nós recebemos menos do que dois salários mínimos.” “Mudar as leis? Sem ouvir a gente? Isso não é legal, estamos aqui e precisamos ser ouvidos com atenção, afinal de contas, somos uma democracia.” “O povo brasileiro ama e quer o futebol de volta.” “Nós também amamos e queremos voltar. Nossas famílias precisam de nós.” “Somos todos pelo trabalho, mas precisamos pensar na saúde de todos nós.” “Trabalho seguro, grandeza da nação. Com fé, venceremos essa partida juntos", diz a mensagem, representada por 16 jogadores.

SAPFEAL

Por meio do seu presidente, Jorge Henrique Pereira Borçato, o Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Estado de Alagoas (SAPFEAL) se une à Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol-FENAPAF e aos demais sindicatos estaduais para lutar pela manutenção dos direitos dos atletas do futebol. Inclusive, a entidade local já solicitou aos senadores alagoanos que abracem a causa dos atletas profissionais de futebol.

De acordo com Borçato, outro ponto relevante em sua luta é um abaixo-assinado realizado por todos os sindicatos estaduais, que será enviado para o Senado Federal, e afirma: “estamos em busca do melhor para nossos atletas. Não iremos deixar de lutar pela manutenção dos nossos direitos e das nossas conquistas.”

(Crédito da imagem: Montagem/Reprodução)