Nesta quinta-feira, 23, o Amistoso AL conversou com o Professor da UFAL, doutorando em Comunicação na UnB, e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol”, Anderson Santos, sobre sua visão do futebol nacional e estadual com a paralisação.

Para Anderson, estamos vivendo um momento sem precedentes; nem em épocas de guerra se viveu uma situação parecida. Enquanto os combates se davam em solo
europeu, os demais países mantinham suas rotinas normais. Agora é uma situação global e se pode contar nos dedos os países que mantiveram suas atividades, ainda
assim com uma série de preocupações em relação ao olhar mundial.

O professor relembra que para se ter uma ideia do grau de importância da pandemia, até os Jogos Olímpicos foram adiados para 2021, com a incerteza de se poder contar com público. Enquanto isso, os campeonatos nacionais e pelo mundo estão parados e algumas das principais ligas mundiais de futebol ameaçam não seguir este ano, e outras buscando alternativas para quando voltarem, gerando uma pressão nas Confederações e Federações locais para a volta das competições.

No caso do Brasil, ele cita Santa Catarina, onde os clubes e a Federação Catarinense de Futebol (FCF) querem voltar as atividades até 7 de maio; já teriam feito um protocolo médico e a Instituição comprado milhares de testes rápidos para o covid-19. No Rio e em Pernambuco também seguem com a linha do protocolo médico e na Paraíba e no Paraná estudam a possibilidade do campeonato em sede única. Todas estas alternativas ainda são incertas, mas entre essas situações está o caso do time gaúcho Esportivo de Bento Gonçalves que, mesmo com a Federação local contra, teria retomado os treinos.

Todas essas pressões estariam se dando por causa dos contratos de transmissões, os compromissos com os patrocinadores, os salários dos jogadores etc, pois não havendo futebol, as empresas não têm as suas contrapartidas, que são os jogos. Desta maneira, muitas equipes estão perdendo seus apoiadores e não estão recebendo suas cotas de direito de imagem, as quais são as principais fontes de receita de muitos clubes.

Ainda não se teria como mensurar as perdas da indústria do futebol em geral, em curto prazo, mas para ele é certo que vai ter que rever muitas coisas, contratos, valores de salários, entre outros, já que com pouca receita as equipes não terão como manter os altos custos. Em Alagoas, ainda é mais difícil de calcular, por não se ter tanto acesso às informações das despesas dos clubes.

Mas dentro dessa calamidade gigantesca, o CSA teria conseguido uma receita razoável da indenização da Braskem, pela saída do Mutange. Somados aos esforços de sua diretoria, o clube conseguirá atravessar esta fase com um equilíbrio econômico. Vale destacar que as equipes que disputam a série B do Campeonato Brasileiro conseguiram antecipar R$ 600 mil reais da cota de TV. Em um primeiro momento CSA e CRB estariam mais seguros, junto ao Murici e Jaciobá, que receberam R$ 120 mil reais da CBF por participarem da série D. Já para os outros times a situação é bem complicada, prova disso foi o ASA que teve que suspender os contratos, pois não iria conseguir cumprir com seus compromissos.

“Talvez fosse o caso dos jogadores sem série fazer um abaixo-assinado provocando a Federação e a Confederação, porque se sabe que é difícil manter em pouco tempo. Sabe-se ainda que parte do futebol brasileiro funciona basicamente com as prefeituras e os empresários bancando os clubes, mas também temporariamente”, afirma Anderson.

Acredita que a tendência seja que os campeonatos que têm contratos televisivos razoáveis ou mais altos voltem com os portões fechados para diminuir uma parcela do prejuízo, que é muito grande. Mas ainda assim, não se terá público em curto prazo, podendo se estender até o final do ano.

(Crédito das imagens: Pei Fon/TNH1)