As mulheres, no decorrer da história, sempre tiveram que quebrar tabus e lutar para ter mais direitos de igualdade, assim como os homens. No esporte isso não é diferente, e quem sabe pior, porque existiam leis nacionais que proibiam explicitamente a prática de mulheres em algumas modalidades. Somente em 1979 foi liberada a participação delas nos esportes.

Parece brincadeira, mas não é. Mesmo passando mais de quarenta anos do triunfo do movimento feminino, ainda é preciso criar leis que obriguem a inclusão da ala das meninas. Este é o caso do futebol, quando no ano de 2016 a FIFA determinou em seu estatuto que o futebol feminino passaria a ser prioridade e, seguindo essa linha, a COMEBOL e a CBF exigiram uma equipe feminina de futebol para os clubes que participarem de seus campeonatos.

Mas como toda mudança leva seu tempo para ir acontecendo, esse foi um passo essencial para acelerar o processo de inclusão. Para que se tenha uma ideia, em 2019 era obrigatório que todos os times da série A tivessem sua equipe feminina. Há quatro meses do campeonato masculino começar, apenas sete clubes de 20 cumpriam com as exigências. Durante o campeonato apenas o Fortaleza não conseguiu chegar com a obrigação. O objetivo da CBF é que até 2021 todos os clubes das séries nacionais tenham o seu quadro feminino.

Fotos: Arquivo Pessoal

De acordo com a assessoria da FAF, nos últimos seis anos a instituição vem aumentando o fomento ao futebol feminino no Estado e melhorando os níveis dos campeonatos locais. Ressalta que Alagoas já tem um representante no campeonato nacional A2, equivalente a série B do masculino, também promovido pela CBF, que é União Desportiva Alagoana, UDA.

A partir deste ano, a Federação Alagoana cobrará obrigatoriedade de que todos os clubes que disputam a primeira divisão do estadual participem também do
campeonato feminino, que está previsto para o último trimestres do ano.

Seguindo essa linha de incentivo promovida pela CBF, em outubro do ano passado, em parceria com a FAF, foi realizada uma seletiva, na UFAL, para meninas de 12 a 16 anos, que contou com a participação de vários representantes de clubes nacionais. O evento foi considerado o maior de todo o país, contando com a presença de mais de 260 candidatas. Na ocasião foram selecionadas algumas atletas para equipes como Corinthians e Palmeiras. Também se pode citar outras revelações que saíram dos clubes locais e que estão jogando na seleção brasileira.

Mesmo com todos esses eventos promovidos para incentivar o desenvolvimento do futebol feminino pelas instituições nacionais e internacionais, a realidade ainda está bem longe do ideal. Segundo a centroavante do clube União Desportiva, atual campeão estadual, Grazyela Nattacha da Silva, o futebol feminino ainda sofre muito com vários tipos de preconceito, onde elas ainda têm que escutar frases machista, tais como: “futebol não é coisa de mulher…” entre outras. Além de sofrerem com a falta de apoio.

Fotos: Arquivo Pessoal

Grazyela fala que toda vez que tem uma competição a diretoria tem que fazer um esforço enorme para que possam participar e que, muitas vezes, não puderam competir por falta de recurso. Com isso, toda competição que participam elas dão o máximo de si para recompensar o esforço feito pelos dirigentes. A atleta comenta que, mesmo disputando uma liga profissional, elas só recebem uma ajuda de custo e precisam de uma segunda profissão, já que não conseguem sobreviver só do esporte.

E levanta a questão da falta de apoio: “…toda vez que saímos para jogar fora do estado não estamos somente representando a nossa equipe, mas o estado de Alagoas, e não recebemos nenhuma ajuda por parte do governo”, afirma.

(Crédito da imagem: Reprodução)