O CRB vinha embalado antes da paralisação com a vitória por 2 x 0 diante do Cruzeiro, no Mineirão. Com dois gols de Léo Gamalho, o Galo abriu expressiva vantagem e faria o jogo de volta no dia 18 de março, no Trapichão, junto a sua torcida e podendo até perder por um gol que estaria classificado. Aí veio o primeiro decreto de isolamento social por parte do governo do estado e os times tiveram que parar suas atividades.

Na prática, essa parada pode influenciar na partida de volta, já que o time vinha numa crescente e entusiasmado para a decisão? Quais as possíveis “perdas” ou prováveis “ganhos” para a equipe depois de um período fora dos gramados? Sobre o assunto, a reportagem do Amistoso AL ouviu o preparador físico do CRB, Tiago Melsert, que afirmou que, de fato, a paralisação foi frustrante para o grupo, pois todos estavam bastante motivados com o desempenho na partida. “Cheguei ao clube após o decreto, mas pude perceber que o clima era de otimismo e todos estavam felizes para o jogo de volta. Porém, logo o grupo entendeu o momento pelo qual o futebol e o mundo vinham passando e continua, sim, muito motivado para as próximas disputas”.

Tiago ressalta que durante esse período os atletas também entraram de férias e tiveram um tempo sem treinamento, o que é difícil para quem está acostumado a atividades constantes. “Quando os treinos (online) retornaram foi um momento legal para todos. Mesmo de forma virtual eles puderam sentir novamente o ambiente, ter contato com os colegas e isso foi muito bom”. Lembra que a expectativa agora é com o decreto do governador, esperado para o dia 22, para terem uma ideia sobre os futuros passos da equipe.

Condição dos atletas

O preparador diz que o estado emocional do grupo é bom e que todos estão ansiosos para ter um novo começo. “Esperamos ter um tempo considerável de programação para podermos voltar da melhor forma e nos recondicionar”. Segundo ele, a equipe vai precisar se adaptar ao novo cronograma de partidas e por isso espera ter um tempo razoável de treinos. Apesar disso, diz que os atletas estão acostumados à pressão da rotina de jogos. “Sei que é um momento mundial diferenciado, uma nova realidade, mas penso que eles já estão acostumados a uma rotina de viagens, avião, confinamento. Já convivem com o stress e já vivenciam uma situação parecida. Quando eles tocarem na bola de novo vão estar bem”.

Sobre a condição física Melsert é cauteloso e conta que apenas quando os treinamentos presenciais forem liberados será possível ter uma real noção da situação dos jogadores. “Normalmente, quando acabam as férias, eles logo voltam a treinar. Agora a situação é diferente. Então temos que avaliá-los para sabermos o estado de cada um e termos algo mais concreto”.

Responde que as cinco substituições durante as partidas, aprovadas pela FIFA, vão ajudar muito no retorno, pois terão um calendário apertado, com pouco tempo de descanso. “Vai ser uma possibilidade a mais”, diz.

Sete testam positivo

Questionado sobre as condições dos sete jogadores que testaram positivo para Covid-19, ele explica que todos estão assintomáticos, vão ficar em isolamento e realizando novos testes. “Nos treinos por videoconferência todos estavam bem, sem queixas. Passado o período de exames e isolamento todos poderão ser reintegrados ao grupo”, finaliza.

O confronto contra o time mineiro é válido pela terceira fase da Copa do Brasil. O Clube de Regatas ainda participa da Copa do Nordeste, do Campeonato Alagoano, com a vice-liderança, e também terá o Brasileirão da Série B pela frente.

(Crédito da imagem: Doug Pereira / Fotoarena)