É fácil observar o futebol desde uma perspectiva de torcedor, que se orgulha do craque do seu time, que veste a camiseta como se fosse um manto sagrado, que discute, se abraça e conversa sem se conhecer. Estes são alguns dos inúmeros exemplos que se poderia citar sobre a paixão e a entrega que acontece com esse esporte. E para muitos que vivem essa realidade, depois que o jogo acaba a vida retorna à sua rotina; já para os protagonistas dessa história o trabalho continua.

Para que este espetáculo possa ter continuidade existe um trabalho grande nos bastidores, que vai desde um início de preparação das bases até chegar a um nível
profissional. É dessa maneira que o supervisor da Associação Atlética Coruripe, Herilúcio Ferreira, conta um pouco do seu trabalho nas categorias de base.

O supervisor do clube é responsável por mais de 150 atletas das categorias de base, entre as masculinas e as femininas, superando 180 pessoas, se contar a equipe profissional que também está a seu cargo. Explica que, para poder coordenar todo esse grupo, o clube desenvolveu uma metodologia de trabalho. Nas categorias sub 13 e sub 15 eles têm três núcleos em povoados da região, que são acompanhados por estagiários no dia a dia e supervisionados pela comissão técnica. Quando começam as pré-temporadas para as competições, estes passam por uma pré-seleção para saber quem está apto a jogar. Já as categorias superiores treinam no clube, onde também passam pelo mesmo procedimento no período pré-campeonato.

De acordo a Ferreira, o clube vê o esporte como um agente transformador na vida de seus atletas, já que estes têm que estar matriculados e estudando para poderem fazer parte da equipe. Os seus desempenhos escolares são acompanhados pelos profissionais do time, assim como suas famílias são assistidas em caso de necessidade. Ressalta que as bases recebem a mesma atenção que a equipe profissional e que todos os jogadores têm os mesmos acessos aos equipamentos e profissionais da entidade.

Herilúcio diz ter consciência de que muitos não seguirão como jogadores profissionais, mas que eles prezam para que saiam cidadãos de bem. Além dos diferentes tipos de ajuda que o clube presta aos atletas, o time recebe a visita de pastores e padres, onde todos (base e profissional) participam da cerimonia religiosa. Destaca que na equipe do Coruripe todos os atletas que firmam contrato são cientes de que terão que participar das atividades de Ação Social do clube.

Foto: Ascom Coruripe

Promessa

Um exemplo do que Ferreira comenta é o centroavante Everson Dos Santos Silva, que foi descoberto em um campeonato de futsal, realizado na cidade. Na época ele tinha 18 anos e foi convidado a participar do processo de seleção. Devido ao seu bom desempenho na categoria sub-20 o atleta foi levado para a equipe profissional, onde teve a possibilidade de estrear, no time principal, no jogo da Copa do Brasil contra o Juventude, neste ano.

Silva é um dos tantos garotos que todos os anos têm a possibilidade de ascender ao time principal. Quando questionado sobre a equipe, diz: “mudou muita coisa na minha vida, agora eu sou outra pessoa. Estou lá, estou ganhando meu dinheirinho e tenho várias coisas que antes eu não tinha”, afirma o atleta.

Entre outros exemplos do papel social do clube, o supervisor comenta, com muito orgulho, o caso de dois ex-atletas do Coruripe que não seguiram a carreira mas que
sempre que encontra seus familiares eles agradecem pelo que fizeram pelos filhos. Assim como o empresário que os contratou, parabenizando-o pela formação que o
Coruripe proporcionou aos meninos.

(Crédito das imagens: Ascom Coruripe)