Hoje se vive um momento muito delicado e de muitas incertezas e inseguranças, devido a pandemia que afeta o mundo, e com o futebol não é diferente. As Confederações e Federações estudam a possibilidades da retomada das competições, assunto este que divide muitas opiniões. Alguns olham pelo lado econômico, outro pelo lado da integridade física dos profissionais envolvidos, mas o certo é que não se sabe ainda os rumos dessa história.

Esta semana correram rumores na imprensa local de que o futebol alagoano estaria disposto a retornar suas atividades a partir de 1º de maio. Desta forma, o Amistoso AL foi conversar com os preparadores físicos do CSA e do CRB, Caio Gilli e Thiago Melsert, respectivamente, para saber quais são as condições dos atletas, como vem sendo as rotinas de treino dos jogadores e quanto tempo de treinamento precisariam para poderem voltar às competições.

Em ambos os casos, os atletas estão seguindo uma cartilha de atividades e têm um acompanhamento diário dos profissionais através dos aplicativos de conversação online, onde os jogadores têm a possibilidade de dar seus feedbacks sobre os treinos. No caso de Tiago, o preparador conta que ainda não teve a oportunidade de conhecer os atletas além das redes sociais, porque quando chegou ao clube já estavam no período de isolamento social. Ele deu sequência ao trabalho que vinha sendo realizado e introduziu algumas atividades a mais que acreditava pertinente.

Para Caio, que até a paralisação fazia 45 dias que estava no clube, nesse momento sua equipe estava chegando ao ápice da forma física e explica que esta situação em que os clubes estão passado é atípica e prejudica os atletas por dois motivos: o primeiro é porque os jogadores não podem manter sua rotina normal de treinamento devido ao isolamento e o outro é a quantidade de tempo que eles estão afastados e treinando em condições limitadas. Até exemplifica que nas férias normais os jogadores se afastam das rotinas habituais mas, no entanto, realizam outros esportes e atividades físicas que ajudam a se manter.

Os dois concordam que nesse período os atletas terão uma baixa natural pelas limitações que estão sofrendo, mas o objetivo de ambos é tentar de alguma maneira minimizar ao máximo essas perdas.

Com relação ao tempo de treinamento necessário para voltar aos jogos, os profissionais concordam que o ideal seria, no mínimo, de três semanas, mas sabem que a realidade será bem diferente e terão que se adequar a ela. Para Gilli, os jogadores que irão se destacar nas competições serão aqueles que neste período conseguiram realizar uma melhor preparação.

A proposta da FIFA de cinco substituições pode ajudar?

No início da semana saiu a notícia de que a FIFA tinha proposto uma medida para a International Board (IFAB), órgão que faz a gestão das regras do esporte, de alterar o número de substituições de 3 para 5 e em caso de prorrogação as equipes teriam direito a mais uma, com intuito de proteger os atletas do desgastes físico e consequentemente as lesões.

De acordo Melsert, se essa medida for aprovada será muito benéfica para os clubes. Ele relembra que os jogadores vivem viajando em hotéis e aeroportos e têm uma certa dificuldade entre tempo de treino e entre a distância entre um jogo e outro para recuperação dos atletas. O fato de ter cinco substituição lhes proporcionará gerir melhor as atividades, além ter um instrumento a mais para avaliar cada jogador e tomar uma decisão mais assertiva sobre tempo de jogo, de desgaste físico e o risco de lesões. Já tendo em conta a situação, essa medida será positiva.

Gilli vê com bons olhos a medida da FIFA, desde uma perspectiva de preparação física, em relação à quantidade de jogos prevista no calendário do campeonato brasileiro, mais os estaduais. “Já com respeito ao esporte, mudando a regra se estará mudando o esporte, se terá uma série de mudanças táticas em funções das substituições”, afirma o preparador e cita como exemplo o futsal.

(Homenagem prestada pelo CSA a Pedrinho antes da partida com o Corinthians, ano passado, no Rei Pelé / Crédito da Imagem: Felipe Nyland)