É notório que o futebol alagoano vem sofrendo significativamente com as consequências da pandemia. E no futebol feminino as dificuldades parecem ser ainda maiores, uma vez que os investimentos nessa modalidade são relativamente inferiores aos do futebol masculino.

Mas as dificuldades e os desafios, apesar de grandes, não conseguem apagar o sonho de muitas meninas que veem nesse esporte a possibilidade de realização profissional e, claro, uma forma de melhorar de vida e ajudar suas famílias. O Centro Esportivo Olhodaguense (CEO) reconhece esse fato e surge como mais uma opção para essas jogadoras.

Em conversa com a reportagem do Amistoso AL, o diretor financeiro do clube, Henrique Martins, disse que, com a profissionalização do CEO, criou-se uma maior esperança nas meninas em realizar o sonho de jogar futebol. Explica que em outros anos a equipe era gerenciada por terceiros e já em 2019 o time feminino foi integrado ao segmento nas categorias do clube. Apesar das poucas condições financeiras, diz que está sendo montada uma equipe para representar o município no Campeonato Alagoano a dar oportunidade a essas atletas de realizarem seus sonhos.

Henrique contou que antes da paralisação em decorrência da pandemia o clube já estava na fase de montagem da equipe e aguardando a definição do calendário do
Estadual. No retorno dos jogos a equipe será montada com cerca de 25 meninas da região, principalmente do entorno do município.

“O projeto para este ano seria abrir a escolinha para meninas, começando no futsal, mas com a pandemia não foi possível. Devendo ficar para 2021”, conta.

Segundo Martins, Olho d'Água das Flores sempre teve time de futebol feminino. A primeira equipe foi formada ainda nos anos 90 pelo Sr. Milton Sapateiro. Agora o clube resolveu absorver a modalidade e oportunizar aquelas que querem jogar profissionalmente.

Incentivo

O dirigente cita a Copa Rainha Marta como um projeto de estímulo à prática do futebol feminino no estado, porém diz que o fato de ser realizada exclusivamente em Maceió dificulta a participação das meninas. “O estado deveria ampliar as fronteiras e envolver mais o interior. Por que não fazer uma edição no interior?”, sugere.

A CBF também foi cobrada por Henrique Martins. Coloca que a Confederação deveria facilitar mais o acesso das jogadoras, uma vez que os investimentos no futebol feminino não são os mesmos do masculino. “Para termos uma ideia, as taxas de transferência de uma atleta são as mesmas de um atleta. Mas há, ainda, uma enorme diferença. Recordo que uma jovem aqui da região ficou de fora de um Campeonato Alagoano porque o valor da transferência era considerado 'alto' para a categoria. Infelizmente, ainda existe isso”, complementa.

(Crédito da imagem: Ascom CEO)