"Para mim, uma homenagem que demorou a ser feita, inclusive, por tudo o que o Zagallo fez pelo nosso esporte”, manifesta o historiador do futebol alagoano, Lauthenay Perdigão, ao ser indagado sobre a indicação do Velho Lobo ao Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro, COB, em 2020.

Mário Jorge Lobo Zagallo é um alagoano da cidade de Atalaia, que foi embora do Estado ainda criança, para o Rio de Janeiro. Lugar onde construiu uma carreira vitoriosa como jogador, ingressando como aspirante no América-RJ, time do coração e, posteriormente, com passagens pelo Flamengo e Botafogo, conquistando cinco campeonatos cariocas e uma Taça do Brasil. Títulos que lhe renderam uma convocação para a seleção brasileira em 1958, ano em que a seleção ganhou seu primeiro título mundial.

Mas o destino guardava mais surpresas boas para o ponta-esquerda de Alagoas. Ele também fez parte da equipe que ganharia o campeonato mundial subsequente de 1962. Não obstante, os títulos mundiais pela amarelinha não parariam aí, mas agora do lado de fora do campo. Como técnico e auxiliar técnico ajudou a seleção a levar para casa mais dois títulos e um vice-campeonato, 1970, 1994 e 1998 respectivamente, chegando, assim, a uma marca histórica de estar entre as três pessoas do mundo a conquistarem o mundial atuando como jogador e como técnico.

O cronista esportivo Jorge Moraes relembra que, mesmo que Zagallo não tenha atuado no estado, suas raízes são daqui e sempre que atletas alagoanos iam jogar no Rio era ele quem ia recebê-los, citando os casos de Dida e Peu.

Dono da irreverente frase no mundial de 94: “vocês vão ter que me engolir”, o Velho Lobo sempre se caracterizou pelo caráter forte e aguerrido e, com um currículo invejável, vai ser a primeira personalidade do futebol a fazer parte do Hall da Fama do COB. Junto a ele estarão outras nove personalidades desportivas que recebem esta ação de reconhecimento por contribuírem de maneira notável para o esporte olímpico nacional.

Foto: Ascom CBF

De acordo com a assessoria da CBF, o nome do ex-técnico chegou ao Comitê Olímpico do Brasil após uma iniciativa da CBF e passou por um rigoroso processo de seleção até ser eleito. O Hall da Fama vai ficar na sede do Centro de Treinamento do Time no Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), onde haverá um mural com os moldes de mãos ou pés dos homenageados.

Ambos os entrevistados acreditam que o reconhecimento é mais do que merecido. Para Perdigão, apesar de Zagallo nunca ter atuado nos clubes alagoanos, sua importância para o futebol, seja ele internacional, nacional ou alagoano dá-se por tudo o que ele fez como jogador e como técnico. “Jogador atuante e de suma importância para a equipe, tanto que era conhecido como jogador formiguinha, pois trabalhava pelo coletivo e não só por ele. E um técnico que buscava sempre a excelência”, afirma o historiador.

Por sua parte, Moraes acredita que seus títulos falam por si só. Mesmo que o auge de sua carreira tenha se dado em um momento onde os meios de comunicações eram mais escassos, o seu nome ainda perdura pelo seu prestigio nacional e internacional. Ao referir-se sobre a importância do tetracampeão para o estado, ressalta a Comenda do Mérito Esportivo Mário Jorge Lobo Zagallo, aprovada no ano passado pela Assembleia Legislativa e criada com o intuito de homenagear personalidades que se destacaram profissionalmente ou que prestaram relevantes serviços no âmbito do esporte.

(Crédito das imagens: Arquivo Fundo Correio da Manhã  )