A preocupação com o atual cenário do futebol mundial é notória e crescente, diante do quadro em que se encontra o mundo por conta da pandemia do Corinavírus. Para muitos times brasileiros, especialmente os do interior, a realidade é ainda pior, já que têm orçamentos menores e, por isso, sofrem mais com o novo quadro.

O time Associação Atlética Coruripe não foge à regra. O Hulk, como é conhecido, aguarda um posicionamento das entidades do futebol, a partir da estabilização da situação nacional, para traçar seu rumo nos campeonatos. Com o Ato de prorrogação da suspensão do Campeonato Alagoano até o dia 20 de abril, pela Federação Alagoana de Futebol (FAF), as atividades do clube, assim como as de todos os times alagoanos, estão suspensas e com uma grande interrogação sobre previsões de retorno.

Segundo o vice-presidente do Coruripe, que também é superintendente de futebol, Franciney Joaquim dos Santos, essa indefinição é bastante preocupante uma vez que as despesas do clube são muitas e a paralisação prejudica a manutenção de sua receita. Ele conta que a Prefeitura da cidade é a maior patrocinadora e já sinalizou com a diminuição do repasse devido à baixa arrecadação municipal que deverá ocorrer com o período de quarentena.

“As despesas são muitas: além do pagamento de pessoal, temos também que arcar com alimentação, transporte, aluguel, concentração. Nossa folha atualmente está entre R$120,00 e R$128 mil reais, incluindo os custos operacionais. Somente aos jogadores pagamos entre R$ 82 e R$ 88 mil. Estamos numa situação delicada. Até agora temos honrado nossos compromissos, a folha de março está assegurada, mas aguardamos novos posicionamentos para sabermos como ficará daqui para frente”, explica Franciney.

Ele lembrou, inclusive, que o clube emprega 53 pessoas, fora as que trabalham de forma indireta. “O impacto financeiro com essa situação atinge muita gente aqui no município”. Explicou que os clubes das séries C e D fizeram um abaixo-assinado juto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) solicitando uma quota de ajuda. “Essa verba seria muito importante para nós. Com a certeza de que nos comprometeríamos em negociar uma forma de pagamento e quitação da dívida”.

Franciney Joaquim dos Santos, vice-presidente do Coruripe / Foto: Ascom 

Alagoano e Série D

O vice-presidente comentou sobre a situação da equipe nos campeonatos desse ano e foi enfático ao dizer que, para ele, a continuidade do Campeonato Alagoano perdeu o sentido. “A indefinição é tamanha que o Campeonato Alagoano de 2020 perdeu a essência”, colocou.

Já em relação à Série D, Franciney confirmou a participação na competição, mas disse que as pretensões da equipe vão depender do desenrolar da situação atual e, principalmente, do aporte financeiro que a equipe venha a obter.

“Estamos com a maioria dos jogadores assegurados em seus contratos até o final da primeira fase da Série D, e alguns até o final do Alagoano. Vamos aguardar o andar das coisas para conversar com os atletas a possibilidade, se for o caso, de uma renegociação de salários, ou de talvez fazer novos contratos. O certo é que nossa intenção é manter toda equipe até a Série D”, explicou.

Foto: Ascom Coruripe

Atletas

O vice-presidente fez questão de parabenizar os atletas pela compreensão e entendimento diante da situação excepcional em que se encontram. “Estamos muitosatisfeitos com a posição dos jogadores, comissão técnica e demais funcionários, que entenderam o momento e estão tendo a paciência devida para atravessarmos essa fase tão difícil”. Assim como muitos clubes, a equipe está de folga coletiva aguardando o desenrolar dos acontecimentos para retorno aos treinos.

O Verdão Praiano está em quinto lugar no Campeonato Alagoano e possui três títulos estaduais: 2006, 2007, 2014.

(Crédito das imagens: Ascom)