Assim como todos no mundo do esporte, os atletas de alto rendimento no futebol sofrem bastante com a paralisação dos jogos. Manter um treinamento em nível elevado sem poder sair de casa acaba sendo frustrante para eles, que estão acostumados com uma rotina forte de exercícios.

O adiamento ou cancelamento das competições tem afetado o psicológico da maioria, que precisa lidar com o problema da maneira menos traumática possível. E uma das estratégias mais eficazes para minimizar esse transtorno, segundo especialistas, é trabalhar o lado psicológico e manter a rotina para não serem afetados com o desestímulo e a depressão.

A psicóloga esportiva, especialista em psicopedagogia e pós graduanda em neuropsicologia, Ângela Araújo Casado, colocou, em entrevista ao portal Amistosoal.com, que o longo tempo de paralisação pode causar ansiedade nos atletas e a vontade de querer retornar à rotina o quando antes pode afetar o seu emocional. “É preciso que eles entendam isso como um processo pelo qual estão passando, mas que vai acabar e tudo vai voltar ao normal. Sendo assim, precisam controlar a ansiedade com atividades rotineiras e pensamentos positivos”. Para a profissional, a rotina dos atletas é essencial para que consigam organizar a mente e enfrentar as situações adversas pelas quais estão passando.

Ângela trabalha há anos com as equipes de atletismo, basquete e natação da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal) e explica que uma programação semanal com reuniões e encontros virtuais entre técnicos, competidores e coordenadores também contribui para manter o foco nas ações esportivas. “Estamos fazendo isso na Instituição e percebemos que essa estratégia ajuda a manter o compromisso da equipe junto, é claro, aos treinamentos que são possíveis de serem realizados em casa”.

Jorge Bichara, que comanda a área de esporte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em debate realizado pelo UOL Esportes, também comentou o assunto. "A cabeça deles estava preparada para uma situação de stress físico e emocional. Você tem que reprogramar tudo isso e ainda lidar com mudanças nos projetos de vida de cada um. Você entra em outro patamar de dúvidas: 'Vou renovar com meu clube? Vou mudar de clube? Vou mudar de cidade? O que acontece com minha modalidade? O que acontece no ano que vem?”

Diante disso, acrescenta Ângela, é importante não diminuir o ritmo e manter, dentro de suas limitações e pressões diárias, a mente sempre ocupada.

(Crédito da imagem: Reuters)